Com “Digger“, de Alejandro González Iñárritu, e com um Tom Cruise que parecia talhado, ainda há umas semanas, para receber o tão elusivo Oscar e agora arrisca até perder a nomeação, a Warner Bros. enfrenta um dos piores anos da sua história — logo após ter tido um dos seus melhores. Uma prova da montanha-russa que é Hollywood (olhe-se também para a omnipresente Anne Hathaway este ano, quando a sua carreira se encontrava estagnada na última década). O estúdio arrisca-se a perder quase 250 milhões de dólares só com este filme.

Claro que há ainda o inevitável sucesso de “Dune: Parte III” com estreia natalícia — um dos períodos mais “seguros” para faturar historicamente, sobretudo quando está praticamente em substituição de “Avatar” e “Star Wars”. Mas o ano tem sido um padrasto para a Warner. E Digger foi, para todos os efeitos, o último filme lançado de forma independente por eles, dado que a 6 de outubro foi formalizada a fusão com a Paramount (que gerará a Skydance Corporation, comandada por David Ellison e pelo ex-CEO da Mattel, Ynon Kreiz).

Antes tínhamos tido “Coyote vs. Acme“, um filme que foi completamente descartado após o CEO David Zaslav se opor ao seu lançamento — presume-se que também pelo seu teor cáustico e anticapitalista, o que acaba por ser curioso, dado que essa poderia ser igualmente uma descrição para “Digger“… parece que nem o liberalismo americano mais progressista quer dar palco a estes filmes.

Por falar numa corrente progressista, o estúdio tinha tentado anteriormente um par de filmes que eram, no fundo, o lado feminino de dois clássicos masculinos: “The Bride!” (Frankenstein) e “Supergirl” (Superman). Ambos flops: o primeiro fez perder 100 milhões e o segundo, 80 milhões.

O que reserva o futuro? Bem, ao que parece, com a perda de estúdios e a concentração em grandes aglomerados rumo a um futuro monopólio da indústria, arriscamo-nos a perder ainda mais o caráter identitário no cinema de massas. Que a “massa verde” — isto é, o dólar americano — seja o motor de uma indústria que pensa cada vez mais no entretenimento do que na provocação artística (e muitas vezes com o marketing da crítica norte-americana instalada a trabalhar nesse sentido!), isso já sabíamos. Claro, há bons e maus filmes de pipoca (e bons e maus filmes de festival), não sou desses… tomara nós termos um “Jurassic Park” ou um “Terminator 2” todos os anos! Agora, resta-nos esperar que a contracultura de filmes minimamente originais e provocadores que fizeram rios de dinheiro (como “Obsession“, por exemplo) consiga influenciar positivamente uma indústria cada vez mais ocupada por oligarquias às quais interessam mais cobertores e menos questionamentos…

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