A decadência acelerada do found footage (após o boom que se seguiu revive de 2007), coincidiu com a ascensão do streaming (e dos streamers) e, por sua vez, nas suas variantes, como o surgimento dos influencers nos moldes que tão bem reconhecemos. É neste contexto que olhamos para “The Influencer Project”, aqui equiparado pela própria equipa de marketing a um filme na senda de “The Blair Witch Project”.

A narrativa acompanha uma ascendente influencer do Instagram e do TikTok, Chiara King (também influencer na vida real), que viaja para Copenhaga para produzir (mais) conteúdo patrocinado para o seu canal e, ao mesmo tempo, protagonizar um documentário sobre a sua própria pessoa. Durante a estadia, é confrontada com um stalker, autodenominado King Slayer no seu avatar, que, além de a perseguir, a ameaça de todas as maneiras e feitios.

Malabarista entre dois formatos, o found footage, como havíamos referido, recorrendo às ferramentas do zeitgeist para o configurar como um “objecto perdido na cloud”, e o mockumentary, o falso documentário (ainda podemos atribuir forçosamente a quem tiver disposto a debater, com o ‘desktop film’), esta oscilação converte-se no seu cavalo de Tróia, enquanto tenta tecer um comentário ácido não apenas sobre um estilo de vida e as [novas] profissões do século XXI, mas também sobre o neo-niilismo consumista por detrás destas novas estrelas e o desfreio moral do seu público. Talvez seja um filme mais interessante na teoria do que na prática, porque, ao recorrer aos elementos básicos do terror, acaba traído pela previsibilidade da fórmula. 

Já em pleno clímax, a estrutura estética dual até então apresentada quebra-se, e o filme sofre um abanão, tentando prosseguir apenas à boleia da promessa de suspense. É isso que o torna esquecível, imberbe e atormentado pela sua própria actualidade, e depois, o choque empático ( e linfático) de termos torcer por uma personagem, que à imagem da sua “profissão”, exporta para o mundo a sua inocuidade. Diríamos que é o conteúdo do momentos, entre links e reshares, tornando a ‘coisa’ viral – o comentário está feito mas demasiado tímido por entre a transformação para uma ‘final girl’ em contraste com o sadismo da força antagónica.

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