Por momentos tiramos o chapéu (vá, deixamos um pouco da calvície à vista) perante o terceiro capítulo, intitulado “No Way Home”, em que o Spider-Man disneyficado recebeu, por fim, algum gravitas, deixando com isso de ser apenas um sidekick do Iron Man sob o cunho dessa casa milionária e emancipar-se como personagem-senhora do seu mundo. Contudo, depois do sacrifício e da tragédia implementada, havia que revitalizar a saga cruzada, e este “Brand New Day” presta-se precisamente a isso, criar novas possibilidades de aventura para o aranhiço e novas pontes para com o franchise-mãe (a da Disney, mesmo sendo um empréstimo da Sony … a guerra dos direitos e o garante das mil e uma versões da mesma história seria mais interessante do que falar do filme em si).
Peter Parker (Tom Holland), após o solicitado feitiço de Dr. Strange, que faz com que todos no seu universo desconheçam a sua identidade, vive agora emaranhado na missão de concretizar o ‘your friendly neighbourhood Spider-Man’, tentando, com isso, esquecer a solidão e o luto em que se encontra. Até aqui, tudo bem, um Homem-Aranha mais humanizado, fragilizado. Depois de uma intro a piscar o olho aos fãs mais acérrimos (olha, é a capa da edição n.º 1 de The Amazing Spider-Man, apontam na sala), perfilamo-nos numa passerelle de cameos e histórias do arco da velha nesta (suposta) nova entrada marvelesca. Enfim, é todo um universo a piscar-nos o olho.
Ao contrário de “No Way Home”, que se expandia para depois se limitar como parte do protocolo, “Brand New Day” faz o inverso. Entrega-se aos brilharetes, aos easter eggs e, pelo… rastaparta!… à mesma história adaptada. Já não bastava Brett Ratner ou Simon Kinberg terem dado asas a uma das sagas mais adoradas pelos marvelettes na banda desenhada, cuja dimensão humana nas páginas o cinema nunca conseguiu verdadeiramente captar (oh … que se dane à ditadura dos spoilers, é a célebre Saga da Fénix Negra). Destin Daniel Cretton (novamente tarefeiro do estúdio), não ousa nomear correctamente aquilo que os mais familiarizados reconhecem de imediato, mas todos sabemos o que aí vem!


Se o universo do Spider-Man é tão rico, escusávamos destas injecções da Disney para que o nosso Peter Parker continue a fazer parte da CASA. O final do antecessor antevia precisamente essa modéstia, entregar a personagem ao devido lar e não à megalomania das sagas alheias. Contudo, pensa-se em “grande”, nunca em “grande coisa”, e lá vem nós um terceiro acto barulhento e pirotécnico, a piadinha sempre instalada, o mesmo síndrome, a mesma emoção, e o espectador, bem, já anestesiado pelo espectáculo, saliva por mais (massa crítica? Onde estás tu?).
Não entendo, sinceramente. Se Curry Barker, realizador do sucesso (e caso de estudo) “Obsession”, referiu, nas suas enésimas entrevistas concedidas, que a sua geração quer ver “coisas novas” no cinema, será o eventual sucesso de “Spider-Man” o perfeito contraditório? Sim, tem-se plena noção da popularidade da personagem, o casal Holland e Zendaya reluz do outro lado da colina, mas… porquê sempre as mesmas histórias? Um herói insuflado e violentado por todo um espólio disneyesco. A fórmula imaculada, recitada uma vez mais. Novamente … massa crítica? Onde estás tu?

Deixe um comentário