The Odyssey” tem data de estreia marcada para o dia 16 de julho em Portugal (17 nos Estados Unidos), mas o portão da crítica foi miraculosamente aberto uns 10 dias antes, quando em muitos outros casos, haveria um embargo até à véspera. As “críticas”? Todas num clima de êxtase, prontas a serem usadas para citações nos spots a lançar na próxima semana. Não devemos desconfiar de tanta “generosidade” de um lado e um aparente excesso de confiança do outro? 

Não quero com esta recente crónica rebentar qualquer bolha. Não, não vi ainda “The Odyssey” de Christopher Nolan. Sim, a minha relação com este cineasta tem sido historicamente feita de altos e baixos, sendo dos poucos a não gostar do multipremiado “Oppenheimer” que finalmente deu o tão elusivo Oscar de realizador (e produção) a Nolan

Numa época em que podemos sempre pensar no impensável – e portanto, que “The Odyssey” esteja realmente à altura do épico de Homero – convém no entanto criticar um certo tipo de crítica. 

Os grandes estúdios em particular vivem das reações da crítica, numa época em que ela ainda tem uma importância, sobretudo financeira, para chamar um certo tipo de público mais adulto, e sim, até mais influenciável por textos. E que exista tráfico de influências em certos círculos, sobretudo nas grandes publicações, parece base já assente. 

O que é mais flagrante desta vez é, se o espectador googlar (ou for ao chat, que infelizmente é já o mesmo efeito) por críticas particulares, encontra este texto do The Guardian que até pode parecer uma análise profunda à partida, se bem com uma faceta orgásmica e referencial típica de “fanboy“… até olhar para o seu lado esquerdo e perceber que o conteúdo que está a ler… foi pago pela própria produção do filme. Conteúdos patrocinados jornalísticos também não são de si um fenómeno novo – remonta pelo menos aos tempos em que estudei Comunicação há já uma década – mas se estes conteúdos se começam a confundir com análises críticas imparciais, o que será do futuro da crítica conforme sempre a conhecemos, se não um cada vez mais claro apêndice do marketing? E será que se vai olhar para tweets como nova crítica pronta a decorar trailers? Algo me diz que ainda vamos olhar para trás para os polegares de Roger Ebert com saudades… 

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