O mundo rendeu-se à Inteligência Artificial. Até a escrever esta crónica eu tenho a hipótese de a “embelezar” com ferramentas ditas inteligentes (decido não usar, mas aproveito para colocar esta imagem acima gerada por AI como provocação). Usamos o chat com robôs para expor as nossas dúvidas existenciais, para fazer perguntas tão parvas como “posso congelar figos?“, para desabafar até por vezes, tratando-o como se fosse um terapeuta de baixo custo… e claro, Hollywood não quer ficar atrás.

No meio já se formaram barricadas contra e a favor. De um lado, há quem encare a AI como uma evolução do CGI, dos efeitos visuais. Por outro lado, há quem ache que vai desumanizar ainda mais o trabalho desses efeitos, e pior, vai desempregar bastantes trabalhadores da área.

De qualquer das formas, o rumo dos acontecimentos em prol desta nova tecnologia está a adquirir uma velocidade de cruzeiro.

Esta semana soubemos que o estúdio independente da A24, responsável pelo êxito recente de “Backrooms” por exemplo, está a fechar negócio com a Google por 75 milhões de dólares para o desenvolvimento de ferramentas para filmagens e distribuição.

No início deste mês, Martin Scorsese, o mesmo que achava o filão Marvel mais parque de diversões que cinema, esteve na origem de uma polémica ao fazer uma parceria pública com uma empresa de AI (Black Forest Labs). Desenhando storyboards há mais de 70 anos, o realizador defende que a AI pode ajudar a traduzir essas ideias iniciais para uma equipa de uma forma mais direta.

No último festival de Cannes, a jurada Demi Moore, outra provável investidora, afirmou que a batalha contra a AI será uma batalha perdida à partida, e portanto devemos fazer o esforço de encontrar maneiras de colaborar com ela em vez de a resistir; ainda assim, fez questão de complementar que provavelmente não estaremos a fazer o suficiente para nos protegermos.

Perante as influências monetárias das big tech, de facto, vai ser muito difícil parar esta vaga em todo o lado, e o cinema é apenas mais um espaço. Mas ficamos com muitas dúvidas que haja de facto um admirável mundo novo para lá da cortina…

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