“Mas porquê ir ao cinema? Se podes ver em casa e mandar vir pipocas. Fica mais barato.” Ouvido hoje! Local? Metro. Origem? Um grupo de jovens que não passaria os seus 18 anos. Ouvi eu, aquilo que é mais um sinal de gerações descontinuadas do hábito de “ir ao cinema” … mas convém afirmar que não são os únicos.
Contudo, este tipo de discurso (não sendo a primeira vez que o ouço, ainda recordo o “Para quê Cinema se tenho Netflix?” em alunos de Cinema) remeteu-me automaticamente a um outro discurso que se joga numa outra realidade (pelos vistos inexistente). Recordo-o, foi num “Encontros do Cinema Português” (julgo que era a edição a meio do primeiro ano da pandemia, pouco tempo depois da reabertura dos cinemas), onde um representante da maior distribuidora / exibidora do nosso país declarou, frente a um “público” constituído por jornalistas, realizadores e produtores de Cinema Português, que, mesmo dada as circunstâncias, “a empresa continuaria a vender filmes para millenials”, obviamente errando na geração (millenials correspondem aos nascidos no final dos 80 até à metade dos 90), mas entendendo-se como sinónimos de novas gerações, aquelas que nasceram numa “bolha virtual”, exclusivamente habituadas a ver “filmes em casa”.
Questiono, tendo em conta os valores aí divulgados, se são mesmo os jovens que estão a pagar bilhete para ver “Top Gun“, por exemplo? Deixo a reflexão …

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