Restringindo à realidade norte-americana, Sam Raimi, assim “como não quer aquela palha”, produziu em 2004 uma versão ocidental do filme de culto nipónico. [Takashi] Shimizu, por sua vez, não acreditando na vontade dos “estrangeiros” quanto à temática, propôs regressar à direcção. O resultado foi “mais do mesmo” para quem estava habituado a estas andanças, só que o paladar era mais convencional para as audiências não familiarizadas do outro lado do Mundo. O que acontece é que “Ju-On” (traduzido como “The Grudge”) era apenas um prolongamento da crendice e folclore japonês, a ira contida na morte violenta que gera espíritos vingativos e uma maldição que não desgruda de maneira nenhuma.
A refilmagem americana, que contou com Sarah Michelle Gellar (actualmente “desaparecida”) no protagonismo, revia os anteriores passos da primeira obra desta fasquia. O sucesso foi moderado, mas suficiente para uma nova tentativa. Shimizu é novamente chamado para a sequela, só que a bravura em se afastar do circuito definido valeu-lhe uma involuntária sátira a este universo paranormal. “The Grudge 2” ficou aquém das expectativas financeiras e não agradou em nada aos novos e velhos admiradores da saga (depois seguiu-se um terceiro filme lançado diretamente para vídeo sem grande relevância em 2009).
Por isso fica a questão? O que fazer com uma saga que já não se evidencia nenhuma saída criativa? A resposta é fácil, segundo as leis de Hollywood: desenterrar e devolver-lhe uma vida moribunda e arrastada (com Sam Raimi novamente na produção). O “Frankenstein” dessa mesma ressurreição é este “The Grudge” (sim, até no título foram “originais”). A literal apropriação americana da cultura popular nipónica, até porque passamos de Tóquio para o Canadá, não vai mais além dos lugares-comuns, dos sustos bafientos e previsíveis, da sonoplastia interventiva e anti-atmosférica, e ainda com a presença de personagens sem dimensão que não são mais para “carne para canhão”.
Todavia, é no meio desta salada de clichés e tendências viciosas da indústria, sobretudo do terror, que deparamos com o elemento mais decepcionante neste “The Grudge”: a creditação do realizador e argumentista Nicolas Pesce, responsável por obras de género como “The Eyes of my Mother” e “Piercing”, num projeto tão anónimo como este. Esperemos que a sua participação seja apenas estratégia para financiar algo mais relevante no nosso panorama de terror.

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