Não sei quanto a vocês, mas, para mim, setembro é o mês mais deprimente do ano — sim, ainda mais do que dezembro, o mês do Natal (e do meu aniversário). Sim, há esta ideia de regresso à atividade após uma aparente “silly season” onde vale tudo (e, cada vez mais, regada com um cocktail de ingredientes que não sabemos bem quais são). Mas julguem-me se quiserem: quanto mais velho fico, mais adoro os dias longos de verão, em que as possibilidades — e as idiotices derivadas — parecem não ter limites.
Dito isto, há algo neste regresso que atua como um bálsamo: o retorno em força dos festivais de cinema até à exaustão, pensados para todos os públicos. Assim, depois do MOTELX, temos o Queer Lisboa e o Queer Porto, o já polémico Tribeca (será mesmo um festival?), o Doclisboa, a Festa do Cinema Francês, o LEFFEST (Lisboa Film Festival) e o Lisboa Indie Film Festival. Pois bem, a avaliar pela oferta listada, percebe-se por que razão há uma massa de pessoas que resiste em sair do centro geográfico do país (isto é, Lisboa) face a outras geografias que, com sorte, recebem o filme no ano seguinte num cineclube ou num daqueles festivais ao ar livre…
Lá fora, chegam-nos notícias de Veneza, Toronto ou Telluride (este último a funcionar particularmente como um prognóstico para os “normies” dos Óscares). Lá para novembro — ou seja, daqui a mês e meio —, vamos começar a ver listas dos melhores do ano e a perguntar-nos: “Como, se o ano ainda está longe de terminar?”. É o equivalente cinéfilo às luzes de Natal, por assim dizer. Entretanto, as possibilidades que o verão contemplava começam a ficar mais limitadas também para a época de prémios, à medida que as horas de sol diminuem. Tudo parece virar evidência antes do tempo, dada a quantidade de cerimónias de premiação (entre a crítica e a indústria) a que vamos assistir no entretanto.
Este ano, mais político do que nunca, já está marcado por uma polémica “musical” (Ed Sheeran e Pink vs. Macklemore e os restantes artistas que cancelaram concertos) e por outra no cinema (atores como Mark Ruffalo, Javier Bardem e Susan Sarandon a confrontarem uma maioria de Hollywood ainda silenciosa, logo conivente). E surge a questão: e a Palestina? No passado, já assistimos ao silenciamento de discursos apagados nas emissões gravadas (como nos BAFTA). No entanto, parece mais do que nunca que estamos numa curva de viragem neste tema em termos de opinião pública: o palco destas cerimónias corre o risco de se tornar um teste ao cancelamento por parte de uma indústria, comandada também por sionistas, que insiste na narrativa de que qualquer crítica a Israel é equiparada a antissemitismo.
Como diria Bette Davis em “All About Eve“: “Fasten your seat belts, it’s going to be a bumpy night!”

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