Baralha o baralho, lança as cartas, o jogo, por mais nuances que disponha, é a mesma sueca. Portanto, o que esperar de novo numa fita com Jason Statham como cabeça de cartaz?
Se bem, e já penso ter escrito bastante sobre os paralelos do actor / action man e Charles Bronson, é reconhecido que o seu cinema, sobretudo pragmático, “soco nas ventas” para a vilania acalmar ou as injustiças resolvidas à base do pontapé, seja um entretém, ora desmiolado, ora com provocações à complexidade que o mundo nos assombra. Porém, não devemos esquecer que o mesmo mundo atravessa uma infantil simplicidade, pelo menos na forma como se aborda assuntos complexos de natureza política e sociológica. São questões de outra ordem, é verdade, mas Jason Statham pertence a uma própria, a do durão, que, por mais anos que lhe atravesse, consegue resolver os dilemas numa frontalidade agressiva. Esperemos ou não concordar com esta postura, mas não é novo, nem sequer é detenção exclusiva de Statham, figuras que hoje temos estima ou nostalgia, como Chuck Norris, Jean-Claude Van Damme (e aí está, Charles Bronson), eram proprietários dessa mesma fórmula, apenas disputavam o direito da sua existência.
Mas embarcamos no que nos levou aqui, a “Mutiny”, que nada de relacionado há com “Mutiny on the Bounty” destas vidas, é um Statham em alto-mar, o estoico em mais um enredo de vingança a esbofetear “maus como as cobras” com uma facilidade sobre-humana. Dirigido por Jean-François Richet, promissor artesão de acção gaulesa (“L’ennemi public n°1”, 2008), que infelizmente se tem dissipado de igual maneira como a própria homogeneização do cinema, vira-se para aqui como mais anónimo dos tarefeiros … o espectador está anestesiado, mas não de todo entregue à canastrice, pelo menos atrás das câmaras.
Contudo, na recente carreira stathamiana (será um adjectivo?), é nas ausências de Kurt Wimmer e David Ayer, dupla de “The Beekeeper” e, mais tarde, em “The Working Man” (sem Wimmer na pena, mas com Sylvester Stallone), a providenciar um ensaio musculado e monocórdico “anti-sistema”, os quais são sentidas. Porque aqui é Statham com “asas nos pés”, ou seja, a fazer o que bem sabe e nada mais é obrigado. O espectador que se cuide…

Deixe um comentário