Sempre fui absolutamente contra a atitude de explicar as piadas, mas cuja natureza é a de um “inside joke”, mas deixem-me contextualizar o título deste texto, alusivo à participação do actor Diogo Morgado no podcast de cinema V.H.S., onde promovia o seu filme “Um Lugar dos Sonhos” (a sua quarta realização). Contudo, o que prometia ser um episódio chill rapidamente se transformou em algo embaraçoso, pelo tom conflituoso do actor/realizador para com um dos anfitriões do programa, Daniel Louro, a quem dirige a expressão: “Isto não é um stand-up, Daniel”. Frase essa que, mais tarde, foi recolhida por um programa ainda mais popular e de grande amplitude, “Extremamente Desagradável”, da radialista e humorista Joana Marques. Portanto… fazendo uso desse trecho, queria, por momentos, que isto não fosse uma telenovela… só que acaba por ser.

Buscando as tendências actuais dos espectadores de prime time, a tal telenovela turca, comecemos dessa maneira, como um enredo vindo desse mesmo universo: Yasemin (Cansu Dere), empresária de sucesso, pronta a dar o seu ponto crucial em casar com Yaman (İsmail Demirci), um cobiçado herdeiro. Só que, no evento em que o casamento seria anunciado, descobre uma “terceira roda” e, de coração despedaçado, parte numa viagem avulsa. Calha ser Lisboa (como poderia ser outro sítio qualquer), onde acidentalmente encontra José (Diogo Morgado), pescador, homem de passado trágico que foge disso mesmo. Como se prevê, os dois acabarão por se envolver, com muitas reviravoltas rocambolescas dignas da telenovela, ora turca, ora das essências das grelhas generalistas portuguesas.

Portanto, tudo nos chega sob esse carimbo e sob esse sentimento: é telenovela, um episódio esticado com meio e fim (o início parece ter acelerado a temporalidade desta metragem). A linguagem pisca, ou melhor, alimenta-se dessas produções, não existindo em nenhuma ponta nem outra um plano ou sugestão digna de Cinema. É tudo aquilo que se supõe ver num Canal Star ou na SIC antes do telejornal: Istambul cosmopolita e com desejos europeus e, do outro lado, o Portugal provinciano-turístico, de tradições com etiqueta precária e os lugares do costume. Desperdício ou não, fica o aviso…

Isto nem é stand-up, isto nem é telenovela, Diogo, nem sequer o melhor (ou pior) que a Turquia nos deu nos últimos anos em termos cinematográficos… Oops, esqueci-me das aspas, porque chamar filme a isto é já, por si só, uma ofensa ao produto em si.

Deixe um comentário

Outras leituras