Uma conversa com Mia Tomé
No início, começamos pelo fim, ou melhor, pelo vislumbre dos escombros que esse projectável ponto final deixará para as (não) futuras gerações. A arte sempre auxiliou o imaginário humano, e é também a primeira a “morrer” pela negligência da espécie, pelo capitalismo fervoroso onde o lucro se assume como o máximo da existência. Discursos fortes e pessimistas à entrada de 2026. Contudo, importa olhar com alguma incerteza e jocosidade – “Não Esperem Muito do Fim do Mundo” -, foi o título de um filme do cineasta romeno Radu Jude, que aponta a desumanização da Humanidade como acelerador do nosso desfecho civilizacional e, ao mesmo tempo, nos acalma as ansiedades: o Apocalipse não terá a espectacularidade que Hollywood nos vendeu. Mia Tomé, actriz, poeta, aventureira no Arizona à procura das stuntwomen dos westerns esquecidos, é a convidada deste episódio, um pouco fatalista, ora habitante desse inquietante uncanny valley. Mesmo sob enredos de IA e substituição humana, é no conforto da “livraria mais bela deste país” (palavras da própria convidada), a Linha de Sombra, que nos refugiamos entre escritos e matéria, toda ela produzida por humanos. Viva a Humanidade? Talvez sim. Ou talvez não.
Material de Apoio
O álbum “Há um Herbário no Deserto” de Mia Tomé.
Página oficial dos Artistas Unidos.
O filme soviético referido neste episódio é “Padenie Berlina” (“The Fall of Berlin”, em título internacional), de Mikheil Chiaureli (1950).
Devido às constantes “brancas” do vosso anfitrião, o western de William A. Wellman mencionado intitula-se de “Westward of Women”, por cá recebendo o título de “Caravana de Mulheres” (1951)
Alguma informação adicional sobre o “Titanic” nazi, produzido pela UFA, ler aqui.
Podcast de Rui Alves de Sousa, Imperdoável.
O mencionado episódio de ‘Porta dos Fundos’.

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