Ri-te, ri-te, se não o fizeres, a Vida rir-se-á por ti. “Sad Jokes”, uma espécie de “e se fosse comigo” com traços tragicomédicos, é a segunda longa-metragem do alemão Fabian Stumm, actor que, depois da experiência em “Bones and Names”, ganhou o gosto pela realização e, com ela, construiu um díptico do íntimo e da nossa turbulenta relação com ele. São piadas, provérbios humorísticos (com um quê de Rohmer) gags e running gags, slapstick e punchlines, segundo o jargão técnico, o que é cómico ou não, ou melhor, o humor como airbag de uma existência depressiva, condenada a um fim abrupto. Se tentarmos enquadrá-lo na lógica dos géneros, entre a comédia e o drama, teremos dificuldade em posicioná-lo num só espaço, até porque Stumm não assume por inteiro esses territórios, estabelecendo antes uma ponte, longe do moralismo, mas próxima da empatia. A “E word” nesse desafio das susceptibilidades cómicas.

O Cinematograficamente Falando … falou com o realizador e actor sobre a obra, que salta das salas e estreia directamente no nosso país através da plataforma Filmin com o selo The Stone and the Plot, o mais recente projecto de Stumm, numa altura em que a ideia de uma nova longa-metragem circula pelo globo (promessas de uma estreia para o próximo ano, talvez). Enquanto isso, conversou-se sobre ansiedade, armas e cinema com proximidade. Rir, chorar, apenas viver e saber como se chama “o café tristonho”: Depresso … entra risos enlatados.*

Era exclusivamente actor antes de se tornar realizador, como surgiu esse apetite pela realização. De onde nasceu esse impulso?

Para dizer a verdade, sempre tive muito interesse pela escrita, portanto, escrevia paralelamente. Quando era muito novo, queria ser escritor, pintor ou actor. Depois, a representação acabou por vencer, mas nunca deixei de gostar de escrever.

Escrevia pequenos contos, cenas para filmes, só que nunca me atrevi realmente a fazer alguma coisa com isso. Sentia que era algo muito íntimo e privado, por isso estava bastante satisfeito apenas por ser actor. Depois aconteceu a pandemia, a COVID e, obviamente, tudo parou. Deixei de ter trabalho e comecei a concentrar-me cada vez mais na escrita. Foi então que percebi que o passo da representação para a escrita e, depois, para a realização não me parecia tão grande pulo assim, até porque sempre fui muito atraído pelo cinema. O cinema foi sempre a minha primeira paixão.

Saliento que nunca estudei realização, obviamente, mas, por alguma razão, sempre senti que tinha algo para contribuir. Não sei. Nunca me pareceu algo completamente estranho. Quando trabalhava como actor em filmes, interessava-me muito por tudo o que estava à minha volta, por perceber como tudo funcionava e se encaixava. Por isso, pareceu-me bastante natural. Durante a pandemia, juntámo-nos (um grupo muito pequeno de amigos), o director de fotografia [Mario Krause], o montador [Maja Tennstedt] e outras pessoas que conhecia, além de uma actriz alemã maravilhosa [Anneke Kim Sarnau], e fizemos uma curta-metragem em apenas três dias. Esse foi, para mim, um momento muito importante, porque percebi no set que gostava realmente de fazer aquilo: realizar, escrever e representar ao mesmo tempo. Parecia-me tudo parte da mesma actividade.

Para mim, escrever, realizar e representar fazem parte de um único trabalho e, para ser honesto, não era propriamente o plano. Fiquei bastante surpreendido com a forma como as pessoas receberam “Bones and Names”, e isso deu-me muita coragem e confiança. Antes disso, sentia-me sempre um pouco como um impostor, porque nunca tinha estudado realização nem nada do género. Foi uma experiência muito feliz. Agora não diria que me sinto completamente confiante, mas tenho a certeza de que é isto que quero continuar a fazer.

Gosto realmente de escrever, realizar e representar. Por isso, não quero escolher entre as três. Ao invés disso, quero fazer tudo.

Sad Jokes (Fabian Stumm, 2025)

Nesse factor de o Fabian representar nos seus próprios filmes, em “Sad Jokes”, é talvez ainda mais protagonista do que em “Bones and Names”. De certa forma, podemos encarar que também realizar filmes seja uma maneira de produzir trabalho e oportunidade enquanto actor? É esse o caminho que encontrou agora?

Não. Para ser honesto, no início tive algum cuidado com isso, porque não queria que essa fosse necessariamente a razão. Não queria que as pessoas pensassem: “Ah, ele está a escrever um projecto de vaidade para si próprio porque quer mostrar-se.” Nunca foi essa a minha intenção.

A questão era mais que ego: que tipo de filmes sinto que me fazem falta? Por exemplo, na Alemanha, que tipo de filme gostaria de ver? E, enquanto homem gay, também sinto que há histórias que me fazem falta no cinema alemão. Essa foi a principal razão pela qual quis escrever “Sad Jokes“. Para mim, nunca foi uma opção escolher outra pessoa para o papel, porque o filme me parecia bastante autobiográfico e eu sou actor. Além disso, até agora sempre trabalhámos com orçamentos muito reduzidos. Por isso, era muito fácil dizer: “Bem, faço eu, não preciso de me pagar.” [risos]

Portanto, para ser honesto, também houve uma razão muito prática. Mas aquilo de que realmente gosto é que, quando comecei a trabalhar desta forma, tive algum receio: como é que vou deixar de ser actor? As pessoas vão passar a ver-me apenas como argumentista e realizador?

A parte interessante é que, desde “Sad Jokes“, que teve bastante sucesso na Alemanha em termos de críticas, prémios e tudo isso, começaram a oferecer-me papéis muito bonitos em filmes de outras pessoas. Portanto, sem o procurar, foi quase como um recomeço, porque as pessoas passaram a ver-me de uma maneira muito diferente dos personagens que tinha interpretado anteriormente. Olhando para trás, acabou por funcionar muito bem, mas não foi propriamente esse o plano: o de conseguir bons papéis para mim. Foi, naturalmente, muito bom que tenha acontecido, mas fazia sobretudo parte de uma decisão artística, a de reduzir realmente a fronteira entre ficção e realidade.

Quero deter-me nessa ideia de procurar um determinado tipo de cinema, porque me lembro de uma citação que me marcou no seu “Bones and Names”: “não é Pagnol, nem Lubitsch, é outra coisa”. Gostaria, por isso, de aproveitar para colocar o seguinte: que tipo de cinema procura? Sei que Rohmer é uma referência no seu cinema, inclusive em “Sad Jokes”, indiretamente demonstra essa referência. [risos]

Sim, sim. [risos] Aquele pequeno momento com a caixa de Rohmer para com a criança …

A parte engraçada é que também é curioso estar agora a falar consigo sobre “Sad Jokes”, porque tenho falado tanto do novo filme [“The Idea“]. Tenho quase de voltar atrás. Mas também há pessoas que querem obviamente saber quais são as referências, e percebi que, enquanto estou a trabalhar num filme, pelo menos enquanto o estou a escrever, não penso muito nas inspirações ou nas referências.

As cenas simplesmente saem de mim e depois trabalho sobre elas. Quando começo a filmá-las, claro que algumas coisas me fazem lembrar outras. Mas, para mim, que desde criança devorei tanto cinema, essas referências estão tão dentro de mim que nem sequer é muito consciente. Descobri a Nouvelle Vague muito cedo, talvez apenas com 12 anos. Por isso, todas essas cinematografias fazem parte de mim. Não é como se quisesse que um plano tivesse o aspecto de um filme de Truffaut. É simplesmente que, às vezes, essas referências aparecem.

Percebo que gosto muito do cinema moderno e contemporâneo e, quando trabalho, dá-me uma sensação de segurança ter sempre um pé no passado. Gosto de filmes que talvez sejam um pouco antimodernos, no sentido de serem filmes que levam o seu tempo, que não precisam de ser muito montados, que trabalham através do diálogo e do ritmo da conversa. É algo de que gosto muito e também me acalma um pouco os nervos, porque fico muito rapidamente agitado com certas coisas.

Sad Jokes (Fabian Stumm, 2025)

Penso que aquilo que procuro, ou a que aspiro, é esse tipo de cinema muito concentrado na forma como a acção é contada através do diálogo e do comportamento. Obviamente, encontramos isso em Rohmer, Rivette ou em Claude Sautet. Sou muito inspirado por todos esses realizadores franceses. Quanto mais velho fico, mais percebo também que o cinema italiano sempre foi muito importante para mim. Neste momento, estou numa grande fase de Valerio Zurlini. Sou um grande fã dele. Fez alguns trabalhos extraordinários nos anos 60. Não sei se o conhece?

Sim, conheço, o realizador do “La ragazza con la valigia” e do “Estate violenta” …

Esse mesmo. Adoro esse “Estate violenta”. É um filme extraordinário. Vi-o há alguns meses numa retrospectiva que houve aqui num cinema em Berlim. Levei todos os meus amigos, porque alguns nunca tinham visto um filme dele. Na Alemanha, não é muito conhecido.

E é precisamente disso que estou a falar. Vi o filme, que é dos anos 60, e em quase todos os planos teria gostado de carregar no botão de pausa e tirar uma fotografia, porque se percebe imediatamente que há algo de tão moderno naqueles planos. Ao mesmo tempo, o filme leva o seu tempo.

É um filme relativamente lento, mas é tão emocionante aquilo que Zurlini consegue fazer com tão poucos meios. Não é uma produção gigantesca, mas a forma como trabalha os ângulos, a montagem, a fotografia, cria uma atmosfera tão forte. É simplesmente fantástico.

Gosto muito de, depois de o argumento estar terminado e de prepararmos tudo, mostrar as cenas ao meu director de fotografia, olhar para elas com ele e encontrar formas de incorporar todas essas inspirações. Depois, ao torná-las nossas, acabam sempre por se tornar nossas, obviamente. Gosto de estar aberto a essa espécie de apropriação, sem copiar. É a forma como se apropria delas. Não se trata de copiar. Isso seria aborrecido.

É como aquela frase popular: “Bons artistas copiam; grandes artistas roubam” …

Por vezes, há pessoas que, quando viajo com os filmes, me apontam referências que nem eu próprio sequer tinha pensado. Isso é bastante comovente. Por exemplo, alguém disse-me que a primeira ou a segunda cena de “Sad Jokes”, aquela longa cena na cozinha, era um pouco Chantal Akerman, porque passávamos tanto tempo na cozinha. Que querido! Nunca tinha pensado nisso, mas é verdade. Obviamente, adoro o trabalho dela, mas nunca pensei conscientemente nisso.

Gosto dessa ideia de que as pessoas que amam cinema conseguem ver essas ligações. Talvez sintam uma espécie de conexão com o realizador, porque conseguem encontrar no trabalho dele referências a outras obras. É como um pequeno puzzle.

Passemos então a “Sad Jokes” propriamente dito. É uma espécie de comédia muito trágica, no sentido em que tenta encontrar a comédia no trágico, porque o filme é, de certa forma, muito triste, e por isso existe essa tragédia. Li há anos num livro uma ideia segundo a qual o humor teria surgido na História do ser humano no preciso momento em que este tomou consciência da morte. 

Sim, gosto dessa ideia. Penso que, à medida que fui envelhecendo, percebi que o humor é provavelmente a minha âncora para quase tudo.

Uma ferramenta muito útil, e também uma boa arma para lidar praticamente com tudo. Lembro-me de, com “Bones and Names”, ter ficado um pouco surpreendido com a reacção das pessoas no cinema. Por vezes riam-se de muitas cenas do qual não estava à espera que se rissem. Lembro-me de pensar: “Ah, eles estão a divertir-se, ou seja, estas situações são também divertidas.” Tinha visto sempre o filme como um drama muito lento, e depois, no cinema, percebi: não, que poderia também ser uma comédia, é uma questão de perspectiva.

Com “Sad Jokes”, achei então muito estimulante levar isso um passo mais longe e pensar: “O que aconteceria se não tentasse misturar tanto os dois tons, mas os colocasse realmente lado a lado?” Ter uma cena muito triste e, logo a seguir, um momento de slapstick, estúpida e absurda. Encontrar um ritmo entre as duas, sem as entrelaçar demasiado. É quase como um rádio em que se aumenta e diminui o volume, para cima e para baixo … para cima e para baixo.

Sad Jokes (Fabian Stumm, 2025)

Foi bastante estimulante fazer isso, porque me lembro de, durante as filmagens, muitas pessoas dizerem: “É divertido filmar isto, mas tens a certeza de que vai funcionar?” Porque a mudança entre as emoções é muito brusca. Tenho de admitir que, por vezes, até eu pensava: “Não sei se isto vai funcionar.” Mas fiquei muito feliz quando estreamos. Lembro-me de as pessoas se rirem histericamente e aplaudirem, depois chorarem e abraçarem-se, e depois voltarem a rir.

No final do filme, estavam completamente expostas emocionalmente, e isso foi bastante comovente. Sentia-se que nunca sabiam o que vinha a seguir, se iam rir ou chorar, rir ou chorar. Para mim, foi muito gratificante levar o público numa viagem dessas. Ao mesmo tempo, há sempre uma história muito simples, pessoal e privada, embora as emoções estejam constantemente a subir e a descer, a história é, de certa forma, simples, num sentido que considero muito positivo. 

O facto de dizer que, durante o processo, havia dúvida em terceiros sobre o humor, aquela combinação entre o tom sombrio e a comédia se ia ou não funcionar, faz-me pensar numa cena do próprio filme. A sua personagem, o qual recordo também ser realizador, mostra o argumento de um projecto a um produtor, que questiona o humor ali investido. Que o suicídio não é engraçado, ou que lhe falta essa dimensão… diria, humoristica. 

Sim, ele apercebe-se precisamente disso.

Isso aconteceu realmente? Tentou transformar em humor um episódio real?

Digamos que a semente é real. Houve um pequeno episódio relacionado com outro argumento em que estava a trabalhar. Alguém o leu, um produtor quis dar-me alguns conselhos, mas estava a fazê-lo de uma forma muito escolar, quase como se estivesse a seguir um manual: “Não podes fazer assim, tens de fazer isto.” Achei aquilo um pouco irónico. Depois, quando escrevi esta cena, quis levá-la um pouco mais longe, porque estava a divertir-me imenso a escrever o argumento, mas também estava um pouco nervoso pelas razões que acabei de mencionar. Então decidi escrever exactamente esse medo numa cena. Confrontei a minha personagem precisamente com essa possibilidade: alguém dizer-lhe que aquilo não tem piada nenhuma, que é apenas trágico. Foi muito libertador, porque, depois de escrever essa cena, pensei: “Agora estou livre para fazer o que quiser”, porque já tinha confrontado essa questão dentro do próprio filme.

O actor que interpreta o produtor, Godehard Giese, é muito conhecido na Alemanha e foi muito divertido brincar com isso. Ele interpreta papéis muito grandes, por vezes históricos, outras vezes bastante contemporâneos. As pessoas gostaram mesmo da situação e perceberam a piada de ser precisamente ele a confrontar-me com aquilo.

E é o actor com quem já tinha trabalhado em “Bones and Names”?

Sim.

E penso que também entra em “The Idea”, certo?

Sim. É também um bom amigo e é realmente um dos grandes actores alemães da actualidade. É fantástico. Não sei se viu “Rose”, com Sandra Hüller? Ele também entra nesse filme. Tem trabalhado bastante, fez um filme com Christian Petzold e é muito bom: “Transit”.

Com Paula Beer, certo? Interpretava o marido dela?

Correcto!

Mas quero aproveitar esta ligação através desse actor, porque penso que existe aqui uma espécie de ‘running gag’ que dialoga com “Bones and Names”, com a personagem de Marie-Lou Sellem. Em “Bones and Names”, ela é uma realizadora que tenta fazer um filme baseado na sua própria vida com intenção de confrontar as suas passadas decisões ou ter uma distância sobre elas. Neste filme, o tal filme já está terminado, mas ela continua a ter dificuldades com a sua vida pessoal, principalmente com as suas relações afectivas. Há aqui uma espécie de piada recorrente.

Sim, é verdade. Foi também muito divertido voltar a trabalhar com todos os actores e actrizes com quem já tinha trabalhado, porque obviamente se sentiam muito à vontade no meu universo. Conheciam a minha maneira de pensar estas coisas diante da câmara, por isso perceberam imediatamente as referências e as piadas, e divertimo-nos muito.

As pessoas adoraram aquela cena com o casal de lésbicas. Ficaram mesmo muito entusiasmadas, também porque Marie-Lou é muito conhecida na Alemanha e é uma excelente ‘desportista’, no sentido de estar disposta a brincar um pouco consigo própria. Gosto muito destas piadas meta. 

Sad Jokes (Fabian Stumm, 2025)

Há também aquela dita festa de estreia, em que toda a gente diz coisas simpáticas sobre o filme, sobre o sexo no filme, ou seja todos tem uma opinião, algo bajulador a dizer. São elogios que parecem, de certa forma, bastante vazios. Mas o filme está cheio de temas que nos encaminhalm para o humor negro, uma espécie de elemento transversal, o qual unem a depressão, a vida quotidiana de um homem gay na casa dos 30, simplesmente, personagens que procuram aquele abraço. Penso que o abraço é aquilo que liga estas personagens. Como surgiu a ideia para este filme, num sentido mais abstracto? De onde veio esta mistura?

Para ser honesto, o ponto de partida teve realmente a ver com as viagens que fiz com “Bones and Names”. Fiquei muito feliz por o filme ter sido tão bem recebido, mas também não foi assim tão fácil. Soa um pouco a cliché, mas nunca tinha esperado nada daquilo. Era actor, estava a fazer as minhas coisas, a carreira estava a correr razoavelmente bem, e depois fiz este filme e, de repente, as pessoas começaram a interessar-se pelo que tinha para dizer e também por mim enquanto pessoa.

Não estava habituado a isso. Às vezes, era quase desestabilizador, porque não tinha as ferramentas para lidar com a situação. Toda a transição aconteceu muito depressa.

A minha maneira de acalmar os nervos e lidar com isso era escrever pequenas histórias, esboços ou memórias que tinha vivido durante as viagens com o filme. Ao concentrar-me nessas experiências e transformá-las em ficção, percebi que isso me ajudava muito. Dava-me uma sensação de voltar a estar com os pés assentes na terra. Percebi também que, por mais sucesso que tenhamos ou por mais que as pessoas se interessem por nós, isso não muda realmente. Quando era mais novo, pensava: “Se algum dia tiver um grande sucesso e as pessoas souberem quem sou, todos estes problemas que me fazem sofrer ou com que luto vão desaparecer e vou ficar bem.” Obviamente, não é assim. Continuamos a tê-los na mesma.

Por isso, queria contar uma história sobre isso. Sobre como, independentemente de quem tenhamos à nossa frente, seja um actor celebrado, um realizador ou uma mulher que sofre de depressão, todos temos as mesmas dificuldades. É por isso que aquele abraço era tão importante para mim. Para mim, trata-se sempre de ligação, de tentar, independentemente do que esteja a acontecer na nossa vida, aproximarmo-nos uns dos outros.

Sinto que esse é um tema recorrente em tudo o que faço, também em “The Idea”. Estou sempre a tentar encontrar formas, através do cinema, mas também na vida, de termos coragem para nos aproximarmos uns dos outros, sermos abertos sobre aquilo de que precisamos, aquilo que esperamos e aquilo com que lutamos. 

De certa forma, acha que a vida é uma piada. 

Não tenho bem a certeza. Dito assim, parece um pouco deprimente… Penso que sou muito mais positivo do que isso. Acredito que aprender a não levar tudo tão a sério, ou pelo menos tentar não o fazer, pode ser muito útil.

Costumava levar muitas coisas demasiado a sério. Agora, com o terceiro filme, “The Idea”, percebo com bastante clareza que, na sua maioria, faço isto para me dar ferramentas necessárias. Ao passar por estas histórias de ficção e viver estas fantasias, no fundo faço-o sempre para encontrar novas formas de lidar com a vida.

Normalmente, termino as entrevistas com a inevitável questão do próximo projecto, mas tem “The Idea” aí em digressão nos festivais. Espero vê-lo no próximo ano.

Espero que sim.

Pode falar um pouco sobre o filme? E como demonstrou ser muito activo, tem algum novo projecto em desenvolvimento?

Sim. “The Idea” é um filme antológico, composto por seis histórias diferentes que não estão realmente ligadas em termos narrativos, mas estão conectadas pelo tom, pelos temas ou pelas atmosferas. Filmámos no meio do Inverno, na neve, em Berlim, e temos um elenco maravilhoso. É um filme muito divertido, penso eu. Muito engraçado, mas também muito triste e muito esperançoso. Fiquei bastante aliviado quando tivemos a estreia em Zurique, porque as pessoas gostaram realmente dele. Tivemos críticas muito boas e o público reagiu muito bem. Por isso, estou bastante satisfeito com ele.

Depois tenho outro filme que vou fazer no próximo Outono. Será produzido pela Komplizen Film, a mesma produtora de “Toni Erdmann”, “Sentimental Value” e os filmes do Pablo Larraín. São uma companhia extraordinária e contactaram-me há cerca de um ano para saber se estaria interessado em trabalhar com eles. Escrevi então um argumento sobre uma cura milagrosa.

Chama-se “The Distance” e esperamos fazê-lo no final do próximo ano.

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