
Doce e, ao mesmo tempo, amarga cinefilia. O Cinema tem sido, talvez, uma maldição, um brinquedo ou possivelmente um modo vivente, contudo fiz dessa Sétima Arte tiradas salvaguardadas de oxigénio no meu quotidiano.
Em 2007, perante a expansão dos blogs de cinema e o ressurgimento de uma nova cinefilia, criei o Cinematograficamente Falando … como um laboratório de escrita sem presunções algumas, mas a vida tem outros traços e intenções e o Cinema, ao qual me aproximei e voltei a aproximar, levou-me por becos de onde hoje não consigo sair, o de Crítico de Cinema, “formado” como tal em 2013 (as aspas são importantes porque, em Portugal, crítico de cinema não é profissão nem formação, é apenas um estatuto, desses de nome a pão e água, secundarizado; aliás, jornalistas há muitos e académicos há uns tantos, crítico apenas em segunda ou terceira via). A partir dessa tal formalização, colaborei e escrevi para diferentes meios, conheci amigos que partilham as mesmas dores e paixões, descobri cinema anteriormente desconhecido, embarquei nessa viagem de conhecimento pelo conhecimento, nunca saciado nem nunca sentado descansado no meu trono da sapiência — sei que nada sei, frase comum, vulgarizada e até ridicularizada nesta modernidade pós-história, contudo continuo a não saber nada de Cinema. Continuo leigo, mas nunca ignorante.
Assim chegamos a 2026: o Cinematograficamente Falando … muda de casa, cumprindo a sua “missão” de estabelecer uma ponte entre este vosso escriba e o filme, matéria ou dimensão, vocês escolhem; o leitor / espectador fica no meio, não na virtude de apenas testemunhar, mas de participar no diálogo.
Mas, ora bem, em que consiste esta renovação? Talvez apenas um instinto de sobrevivência. O velho espaço tinha os seus dias contados; infelizmente, interesses maiores do que a minha pessoa tornam as ‘coisas’ falíveis, presas à falência e à efemeridade. Nessas (in)fortunidades, há que aproveitar a nova casa, agora sob o selo de site: a amplificação é maior, requer mais responsabilidades e, ao mesmo tempo, algumas irresponsabilidades; assumirei e continuarei essa demanda pela crítica de cinema independente, fora de órgãos institucionalizados, fora de academias, fora dos cânones, mas não contra por ser contra, apenas como reflexão. Não mudarei nada no panorama; pretendo, isso sim, criar a melhor experiência possível de leitura. Como se diz, igualmente vulgar, mi casa es su casa. Portanto, estejam à vontade: falamos de Cinema, linguagem, dialecto, sotaque ou eloquência, Cinema não apenas visto, mas conversado.
Não sejam tímidos.