Sobre os Óscares, muitos falaram, muitos debateram, muito previram, outros fizeram ouvidos moucos, e desta forma serem tratados para lá de hipsters, uns quantos, e não poucos, renderam-se aos brilhos das estatuetas, acreditando na maior das mentiras imposta pela Academia, “aqueles são os filmes do ano!”. Mas aqui não se trata de um simples jorrar de vencedores e perdedores, mesmo que, haja apetites para comentar o confronto directo entre “One Battle After Another”, de Paul Thomas Anderson, e “Sinners”, de Ryan Coogler, a previsibilidade do primeiro me leve a conceder-lhe não só o cobiçado prémio de melhor filme como também o de realizador, talvez como espécie de consolo por anteriores perdas maiores (“There Will be Blood”, por exemplo). Não, nem sequer vou servir de ombro amigo ao Brasil pela derrota nas quatro categorias — “O Agente Secreto” poderia ter feito um pleno, a dobradinha do Filme Internacional, galardão que acabou nas mãos de Joachim Trier por “Sentimental Value” (mesmo que, deste lado da barricada, veja “Sirat” como um filme transgressor de tais comodidades, o seu “não-Óscar” seja um bom sinal).

Nada disso: venho apelar, porque antes dos prémios tivemos à nossa mercê centenas e centenas de eventos sobre os Óscares, emissões dedicadas ao tema, episódios, artigos em cascata, influencers e as suas banalidades e até os mais leigos dos leigos a questionar os filmes desse rol; mas, passada a noite, o que acontece a esses “interessados” ou a esse interesse? Regressam às suas tocas, hibernam até nova chegada dos oscarizados, a uma próxima award season e por aí fora, com o cinema a voltar ao seu estatuto de escape corriqueiro e desinteressado (para quê falar de cinema quando há… olhem, futebol, reality shows, fofoquices, outros fait divers para fugir desta realidade dura e injusta a que chamamos vida?), ou então a entregá-lo de bandeja ao glamour dos milhões, expulsando-o de seguida com dois pontapés para a comunidade geek, os fandoms, as sagas e as adaptações avulsas.

Sim, como costumo dizer, e aqui repito com igual convicção, “acabaram os óscares, voltemos ao cinema”. E o Cinema, infelizmente, é recreio para poucos, ou melhor, para os mesmos de sempre; os outros migram como andorinhas… até uma próxima estação, caso a rotina não mude.

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