Eis um exercício sem nunca uma ideia fresca no horizonte, para além de um cozido de referências e fórmulas bem empregues num trabalho de género. “Cold Storage” é exactamente aquilo que promete: nem uma vírgula a mais, nem uma vírgula a menos. Talvez seja precisamente disso que estamos a precisar, deixarmo-nos encantar por uma estrutura pré-fabricada e simples, macaqueando o perfil epidémico, com zombies (sort of), cinema de cerco e conspirações à antiga (hoje entendidas e integradas neste mundo pós-verdade e pós-História como certezas adquiridas).
Isso nota-se nas atitudes do jovem Joe Keery (“Stranger Things”), a repetir o seu papel-tipo; em Liam Neeson, com algumas piscadelas à sua idade, ainda assim resgatado na capa de homem-canivete suíço, carregando uma “longa e acumulada experiência”, e também em Georgina Campbell, saída de “Barbarian” (o filme-sensação daquele realizador bem provido de nome Zach Cregger), sem esquecer Leslie Manville, uma das heroínas da galeria Mike Leigh, aqui a embarcar na sessão (nota-se ainda uma breve passagem de Vanessa Redgrave). O resto, decorrido em grande percentagem num “cold storage” (leia-se, armazéns, empresas cada vez mais comuns nesta modernidade sem propriedade, onde o espaço se torna um demarcador de privilégio face à precariedade disseminada pelo desvalor), resulta nesses “rodriguinhos” habituais: sem grandes catarse ou complexidades, um grotesco lúdico e algumas peças a encaixar para nos envolver no “segredo dos deuses”. Trata-se de contenção, somente isto, e orbitando nisto, mesmo que a abertura quase apocalíptica aponte para uma outra ambição (mas só engodo, até o CGI de pouca qualidade demonstra esse efeito).
Um argumento, e por arrasto um livro de David Koepp (assinando guiões de “Snake Eyes”, “Mission: Impossible” e “Jurassic Park”), levado ao grande ecrã por Jonny Campbell ( assinante da série “Dracula”, com Claes Bang como vampiro transilvânico), é uma pequena madalena de certo cinema oitentista, com Joe Dante ou John Landis à cabeça, sempre atento ao género e, por sua vez, com apelo familiar. Já vimos bem, mas bem (!), pior!

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