Se a Literatura, depois do Cinema, nunca mais foi a mesma, o cinema também não poderia sê-lo sem a pré-existência da literatura. Mas, voltando às essências da sétima arte, essa arte vampírica que se alimenta de todas as outras, é da literatura que herdou séculos de humanidade: narrativas, ficções, fricções, movimentos, o romantismo, o sentimentalismo, o niilismo ou até o existencialismo. Poderíamos nomear aqui uma ou outra corrente, mas é na literatura, como no cinema, que reside a mesma linhagem, uma relação umbilical. Se a literatura garantiu ao cinema o prestígio necessário para que deixasse de ser apenas meras vinhetas a troco de um nickel, é igualmente certo que o cinema, pela sua própria existência, metamorfoseou a literatura. A sua linguagem tornou-se mais visual, obrigada a disputar espaço no imaginário do leitor, um espaço que antes, sem grande concorrência, se instalava como banquete exclusivo de historietas e personagens.
Hoje as duas associam, são aliados numa mesma frente, a de alterar a realidade de quem os experiencia. Dez personalidades,entre críticos, professores, curadores e livreiros, folhearam as páginas deste dossiê virtual, “Ler Cinema, Ver Literatura”, a possibilidade de uma utopia, ou até de uma hibridez de modelos. A garantia é que o cinema e a literatura têm mais pontos de contacto do que de separação, e os próximos dez textos estão aqui para demonstrar essa teoria.

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