28 anos depois … não, não é o filme de Danny Boyle … ainda pensamos no Verão passado. Será mesmo?

A verdade é que este franchise sem futuro, uma criação engavetada de Kevin Williamson (com repúdio declarado da autora original, Lois Duncan), funcionou em pleno 1997 como um produto em contraposição ao desconstrutivo “Scream”, cuja ‘febre’ o próprio argumentista ajudou a erguer ao lado de Wes CravenI Know What you Did in Last Summer” tratava-se de um teen slasher preso à sua época, com adolescentes idiotas e whodunits preguiçosos, e ainda assim, foi um sucesso … e, com os dólares angariados, a sequela surgiu num piscar de olhos (estreando no ano seguinte). Mas o público fez-se ouvir: a continuação, com Bahamas vudu à mistura, não agradou a ninguém. Fiasco em críticas e bilheteiras, levou os protagonistas sobreviventes (Jennifer Love Hewitt e Freddie Prinze Jr.) a fechar a porta a uma possível trilogia. Mesmo assim, contra as suas vontades, em 2006, no apogeu das sequelas direct-to-video: surge um “novo” filme, sem espinha dorsal, a beber do título sem qualquer relação com os eventos canónicos.

E já que falamos de cânone, convém dizer: esta requel, nascida em tempos de requels e nostalgias baratas, pouco importa fora da crença original. É o filme de 1997 que paira como fantasma sobre novas pegadas, novas caras e velhos convidados de traumas exacerbados. Alguém terá achado boa ideia transformar “I Know What You Did Last Summer” numa espécie de “Scream” pós-Wes Craven ou “Halloween” à David Gordon Green (qual dos dois o pior, venha o diabo e escolha), só que esqueceram-se de algo simples e eficaz: nem todas as memórias são dignas de ressurreições.

Mesmo que este objeto não-identificado funcione melhor como standalone do que como elo de um franchise abortado, é a sua patetice enquanto teen slasher (sim, com adolescentes burros que fazem de tudo para ser alvos do gancho) que nos arranca algum charme, sobretudo numa época em que se fala, com seriedade pomposa, de “elevate horror” ou “arthouse horror“. O whodunnit continua desleixado, garanto-vos… e Jennifer Love Hewitt com razão neste seu desempenho enfadado (trazida do conforto do meio televisivo, onde está feliz) sai-se com a tirada de mestre: “Nostalgia is overrated.

Pois é, pois é. Os produtores é que parecem esquecer isso. Porque a moda é o pisca-pisca … pisca para os 90 como para os 80, pisca para a moderna audição, no meio pisca para a lei do menor esforço. 

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