Sequestrando o clássico vilão de slasher, silencioso e com uma aura semi-sobrenatural, Chris Nash decide distorcê-lo numa divergência de perspectiva, induzindo aquilo que tem sido debitado em soundbites e questões mercantis como um subversão autoral ao slasher movie. No entanto, a seguir por esse registo é conceder a “In a Violent Nature” uma ambição que nunca se concretiza, até porque o ângulo dos maníacos já foi provado e comprovado, e todos, cada um à sua maneira, debatem a ética desse olhar (como em “Maniac”, “The House that Jack Built”, “Henry: Portrait of a Killer”, etc.). Já o filme em questão usufrui dessa perspectiva como um júbilo, uma intenção fetichista a aproximar da virtualidade de muitos videojogos correntes (mapear geografias com liberdade para ilícito leva-nos à memória a popularidade do franchise GTA). Por outro lado, essa tentativa de assumir uma vontade de autoralismo conduz o filme a um outro beco criativo e de lá não sai.

In a Violent Nature” não é um filme autoral, porque Nash, talvez devido ao já notado percurso no meio cinematográfico, mostra-se demasiado inexperiente em trabalhar ou ostentar uma visão autoral ou uma personalidade que o justifique, e mais que isso, o do autor enquanto criador de única e reconhecível marca. Além disso, a inserção de momentos contemplativos, uma narrativa lenta e ligações estéticas à natureza e ao esoterismo quase xamânico — que só faltaria umas angulações e uma narração em voz off para entrar na “maliquice” [maneirismo de Malick inserido a “torto e a direito”] — não lhe confere automaticamente o estatuto de autor, e sim o torna papagaio de um senso comum/preconceito do que é “cinema de autor”. Um impostor!

E se vamos pegar no género de terror, ora, Carpenter, Craven, Romero, Argento, Peele e até [CliveBarker, e continuaria e continuaria, autores de terror que não se cedem a rodriguinhos da espécie. Dito isto, qual é o propósito do filme? Porque nem o escapismo consegue provocar. Incomplacente e presunçoso.

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