A capitalização das grandes histórias de rivalidade nas corridas automobilísticas conta com um novo episódio depois da “fórmula” ter encontrado algum entusiasmo nos recentes anos; culpa-se “Rush”, um dos poucos filmes aceitáveis da carteira de Ron Howard ou James Mangold na tensão localizado na emblemática pista francesa Le Mans em “Ford v. Ferrari”. Entretanto, no início do ano, Adam Driver vestiu a pele de Enzo Ferrari e sob a batuta de Michael Mann não cedeu a disputas e sim a golpes de fé com as pistas enquanto santuários. 

Desta vez “Race for Glory”, embebendo o episódio de disputa entre suas marcas, Audi Lancia, numa anónima direção de Stefano Mordini. Quem? Não interessa, porque o verdadeiro cunho desta obra é a devoção do ator Riccardo Scamarcio, não só como protagonista, como também produtor e argumentista (realização será uma incógnita, mas não uma impossibilidade), e através dele que entendemos a ambição de triunfar nestas rodas da vida, com triviais e easter eggs para os adeptos do automobilístico, porém, tal não chega, carece-lhe alma, essa essência invisível fílmica cuja sua ausência nos remata para um produto de subliga com demasiadas estéticas provenientes do telefilme (hoje também um produto criticamente em extinção) e com uma dramaturgia de brisas leves. Nem as corridas aqui reconstituídas apresentam fulgor nem extraem a capacidade única dos seus duplos, e as ambiguidades que a história e os seus heróis apresentam não lavam totalmente a viatura. 

A prova dessa subcategorização nota-se nas personagens secundárias, mesmo com tragos potenciais, Daniel Bruhl, o anterior Niki Lauda da referida obra de Howard, e Esther Garrel (a filha do cineasta hoje perdido na preguiça artística que é Philippe Garrel) não sobressaem das suas personagens. São bonecos imitáveis e sem assinatura, o retrato reflexivo de um filme de iguais propriedades. Longe da pista …

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