Não! Não vou esquecer de trabalhos como “La Salamandre”, “Jonas qui aura 25 ans en l’an 2000” ou “Une Flamme dans mon coeur”. Não se pode negar a sua importância em atribuir uma alma a uma cinematografia, até então, praticamente inexistente [cinema suíço, e o prefixo de “novo”], nem sequer da forma como nós, cinéfilos, o ignoramos em recentes anos [“mea culpa”].

Não posso sequer esquecer desses seus trilhos, porém, não consigo deixar de ser levado pelas ruas de Lisboa, pela colina banhada pelo Rio Tejo e do marinheiro que se sentiu encantado pela sereia lusitana sempre que se menciona o nome Alain Tanner. Sim, “Dans la Ville Blanche” poderá não ser a sua obra maior, mas é de facto o seu mais reconhecido e apaixonado trabalho, e possivelmente um dos primeiros olhares “estrangeiros” a captar a essência melancólica da capital na ficção [“um dos”, para não esquecermos igualmente das aventuras e desventuras de Wim Wenders em bares decadentes do Cais Sodré durante o “Estado das Coisas”, concretizado um ano antes]. E não sei se existe maior homenagem à sua memória que vislumbrar Lisboa, mesmo que mudada dessas vestes brancas, e procurar no seu desencanto, o encanto que conquistou um suíço em passagem, devidamente impressa em película. 

Alain Tanner, quando a Lisboa, cidade e moça, transformou em refúgio de sonhos e de ambições.

Alain Tanner (1929 – 2022)

O actor Bruno Ganz, o assistente de câmara José António Loureiro, o diretor de fotografia Acácio de Almeida e Alain Tanner, durante a rodagem de “Dans la Ville Blanche” / “A Cidade Branca” (1983)

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