Contrariando a já frase-clichê e de propaganda a confundir crítica – “O melhor da saga desde o original” – o qual é condicionado de seguida qualquer pensamento crítico, recuso ainda aceitar a definição de “fresca viragem” num franchise que tem-se demonstrado sem direção (apesar das tentativas de reavaliação da esquecida incursão de Nimród Antal em 2010). “Prey” é a remodelação da fórmula vencedora do imbatível filme de John McTiernan (que saudades!), colocando numa trama independente uma anomalia alienígena. Se no original era uma missão militar cumprida que se embate acidentalmente na costela sci-fi / terror, neste é a emancipação de uma guerreira comanche que confronta esta criatura, o qual partilha desígnio semelhante (também ambicionando elevar-se a guerreiro da sua “tribo”).

É um filme sem grandes pretensões para construir novas vias de fluidez desta saga, concentrando no desenvolvimento da narrativa (mesmo que mais polvilhado do que pensado) e na construção (nem sempre eficaz) das personagens, porém, há que referir que tal como a obra de 1987, o protagonista (neste caso a, Amber Midthunder) é um motor de engrenagem motivadíssimo quanto à sua própria jornada.

Voltando ao “destino da saga”, se é algo que verdadeiramente nos preocupa após a cedência da 20th Century Fox à Disney, e a sua constante ordenha em filões moribundos, este “Prey” de Dan Trachtenberg (“10 Cloverfield Lane”) demonstra-nos que perante aventurados horizontes malfadados pelo público (sim, olhando para o já referido “episódio” de 2010 e ainda o fiasco de 2018, assinado por Shane Black), é no regressar às origens que a fórmula é, por fim, aceite com satisfação.

Como diria Lavoisier – “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. 

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