Se Kenji Mizoguchi fosse um continente, nele poderemos ver um rio que atravessa a condição dos seus habitantes. Tal, leva-os a refletir sobre a sua própria existência, reduzindo “nobres” e “ladrões” ao igual estatuto de meros mortais. Enquanto Yasujiro Ozu, nos seus últimos anos, gradualmente transgredia o tradicionalismo para nos demonstrar um Novo Japão, um país pelo qual hoje conhecemos e reconhecemos, o seu contemporâneo, Mizoguchi, devolvia-lhe o passado “glorioso” através de uma bandeja de dilemas intemporais sem saudosismos, para nos apresentar uma nação que rebela contra a sua própria sofisticação. Os peões da via fluvial mizoguchiana são seres que debatem sobre a sua aparente impotência perante as adversidades do Mundo.




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