E as descobertas continuam! O FEST embarca na sua 15ª edição, trazendo até nós uma seleção de primeiras e segundas obras, filmes propícios para restaurar a fé numa nova geração de cineastas. Mas o festival, o qual tem crescido nos últimos tempos, não fica somente como uma montra de cinema contemporâneo, mas sim como um universo cinematográfico com todas as suas constelações, desde os convidados de luxo que preenchem as diferentes áreas da arte até ao Training Ground, o habitual espaço para pitching e discussões de projetos.

A celebração do Cinema prolonga-se até ao dia 1 de julho. Até lá a cidade de Espinho vestirá as cores do festival e do seu renovado sangue novo. Fernando Vasquez, director de programação, lançou o convite ao Cinematograficamente Falando …, falando dos filmes e convidados deste ano, ou até mesmo das previsão das edições futuras.

Que critérios são valorizados para um filme integrar a seleção do FEST?

Como trabalhamos com cineastas novos, primeiras e segundas longas ou curtas de realizadores até aos 35 anos de idade, obviamente que não podemos seguir a linha tradicional de muitos outros festivais. Raramente existe um histórico por detrás dos artistas que nos permita encontrar apostas seguras, e valores que o público reconheça logo à partida. Como tal temos de seguir muito o nosso instinto e desenvolver e manter um processo de investigação contínuo ao longo do ano. Até certo ponto, desenvolvemos uma certa intuição que nos ajuda a reconhecer talento em estado bruto. Esse é sempre o elemento principal, conseguir despir cada filme de todos os apetrechos e distrações de forma a identificarmos uma voz clara e pertinente por detrás de cada trabalho. Ao mesmo tempo, por queremos ser uma janela para o futuro do cinema, apostamos muito em trabalhos que nos parecem ser inovadores, que desenvolvem novos discursos cinematográficos e que tocam em temáticas do momento ou, ainda melhor, visionárias, filmes que vivem um passo à frente de todos os outros.

Quais os destaques da programação deste ano?

A nossa competição de longas está fortíssima. Destaco logo o “Tremors” do guatemalteco Jayro Bustamente, uma das vozes mais impressionantes do novo cinema latino-americano, e que nos traz um filme que virou o Panorama da Berlinale de pernas para o ar, em fevereiro passado. O filme é sensacional, e conta com um trabalho de fotografia incrível. É daqueles filmes absolutamente obrigatórios.

System Crasher” da jovem germânica Nora Fingscheidt, que venceu dois prémios em Berlim e nos conta a história de uma menina com enormes problemas de autocontrolo e que perante a ineficácia do sistema social alemão, encontra uma última oportunidade de encontrar um novo caminho para a sua vida.

Destaco ainda uma das melhores obras do festival de Roterdão deste ano, o “Take Me Somehwere Nice”, um road–movie absurdista que nos leva por uma viagem pela Bósnia rural. Temos ainda o “Manta Ray”, vencedor do prémio Orizzonti em Veneza, e por último, o “Love Express: The Dissapearence of Walerian Borowczyk”, um documentário que conta com a participação de vários intelectuais e artistas influenciados por este gigante do cinema Europeu, incluindo Slavoj Žižek, Terry Gilliam e Neil Jordan.

Destaque ainda para a Dinamarca, que é o país em foco, num programa que inclui clássicos contemporâneos como “The Hunt” de Thomas Vinterberg e trabalhos de novos criadores dinamarqueses.

Tremors (Jayro Bustamante, 2019)

E em relação aos convidados?

Em relação a convidados o primeiro destaque tem de ir para Marjane Satrapi, a realizadora iraniana responsável pelo mega-êxito “Persepolis”. Também estamos ansiosos por receber o Ritesh Batra, o grande nome do novo cinema indiano, e que realizou filmes como a Lancheira, que foi um êxito em Portugal. Temos também dois enormes diretores de fotografia, o Manuel Alberto Claro, que trabalha muito com Lars Von Trier e Amat Escalante, e Stuart Dryburgh, que fez filmes como “The Piano” da Jane Campion e “Amelia” de Mira Nair.

Também contamos com a presença do produtor espanhol Fernando Bovaria, que produziu filmes como “Abre Los Ojos”, “Lúcia e o Sexo” e “Agora”. Eu pessoalmente estou a apontar todas as minhas atenções a Jonathan Morris, editor de praticamente todos os filmes de Ken Loach, incluindo “I Daniel Blake”, “Land and Freedom” e “The Wind That Shakes the Barley”. Ele vem dar uma masterclass em edição de trabalhos de Realismo Social. É um tema tão importante e ele é inquestionavelmente a grande autoridade no assunto, como tal, não tenho a menor dúvida que será um momento Épico.

Tendo em conta o crescimento do FEST, o que se pretende seguir. Quais os objetivos a definir e o que se espera do futuro?

O grande desafio é obviamente continuar a crescer sem descaracterizar o evento e o ambiente que sempre conseguimos construir. É dos aspetos mais difíceis e só alimentando uma estrutura cada vez mais bem preparada e capaz é que será possível fazê-lo. Estamos numa boa posição para o garantir mas falta ainda muito caminho para percorrer.

De resto, queremos progressivamente apostar mais na nossa secção Lost in the Metaverse, uma secção dedicada a conteúdo de Cinema Imersivo, Realidade Virtual e Aumentada. É uma área que não só requer um crescimento técnico da nossa parte, mas também o investimento de muito tempo para de facto conseguir encontrar o conteúdo mais inovador e eficaz que de facto revele estes formatos como uma boa e poderosa alternativa de futuro.

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