Já que falamos de piadas, o filme de abertura deste 72º Festival de Cannes pode muito bem se enquadrar nesse registo. Mesmo que Jim Jarmusch mine o seu “The Dead Don’t Die” com “pequeníssimas” pérolas numa revisitação pós-modernista do universo zombie, este é um daqueles filmes que o seu lado de paródia parece querer ocultar o óbvio: a falta de imaginação e criatividade alicerçada a um subgénero tão saturado.

O elenco é de luxo, disso não há dúvidas, indo de Bill Murray a Chloë Sevigny, Adam Driver a Tilda Swinton, Selena Gomez a Iggy Pop, passando pelos “desaparecidos” Steve Buscemi e Danny Glover, todos eles estrelas dos seus próprios sketches, peões de uma obra que não se reconhece na caricatura ou no “camp” que por vezes segue com casualidade passional.

A plateia riu … e o quanto se riu … mas no final a desilusão tomou o Palais. Esperava-se mais do que uma simples anedota. A expectativa era alta e o desafio de fazer algo frutífero nesta mesma temática era grande. Nem um, nem outro. Jim Jarmusch brincou com mortos-vivos … só isso.

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