A certa altura do enredo, alguém revela a origem do título, “Solum”, o qual define a exclusividade, excepcionalidade ou até, dialogando com o vocabulário do entretenimento cinematográfico, o “The One”. Porém, nenhuma destas palavras serve adequadamente para adjetivar esta produção de vencimento próprio por parte de Diogo Morgado e de ideias vencidas pela saturação do mercado audiovisual.
Tudo decorre num futuro incerto, onde um reality show tem lugar numa remota ilha paradisíaca (filmado nos Açores). Os concorrentes terão que sobreviver como podem nos diferentes cantos do terreno, mas o que supostamente seria apenas um jogo vinculado num programa televisivo, torna-se numa literal luta pela sobrevivência quando um dos participantes inicia uma perseguição mortífera aos outros competidores. Nas sombras deste enésimo Big Brother, existe uma conspiração que ditará o fim da Humanidade como nós a conhecemos. Trata-se de uma jogada arriscada por parte de Diogo Morgado, o qual se aventura na sua segunda longa-metragem como realizador (“Malapata”). Arriscado no sentido em que nada do apresentado é verdadeiramente criativo, nem sequer aguçado numa potencial crítica político-social (no fim existe uma evidente mensagem ecológica recorrendo à mitologia de Gaia e da furiosa Mãe Natureza).
A contribuição de “Solum” para o nosso panorama é mais um déjà vu do que um novo grito do cinema luso de cunho sci-fi, tendo em conta que há uns anos atrás tivemos algumas similaridades no trapalhão “RPG”, com Rutger Hauer como cabeça de cartaz, ou no nosso série B de requinte “Gelo”, do pai e filho Galvão Teles. Se o objetivo de Morgado era preencher uma proposta quase inexistente no nosso mercado – o cinema de género – era mais grato seguir em modo arrojado e tentar distorcer as referências cinematográficas que tinha em mente.
Nesse aspecto, António Macedo ainda detém o título como o nosso vanguardista no “maldito” cinema fantástico. Quanto a “Solum”, respeitando as tentativas de criar uma produção generosa a nível visual e de meios técnicos, é de um vazio existencial na sua escrita e sobretudo no seu ritmo por vezes ruminante. Novamente pregando: boas intenções não fazem filmes.

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