Não é que contássemos com uma obra-prima, visto que o primeiro filme, “The Boy” (William Brent Bell, 2016), não constituía uma genuína variação, sendo antes um produto das tendências dominantes do mercado do terror, quer a da celebrização de “Annabelle”, quer a da referência como motor de um género como sucede, neste caso, com “The People Under Stairs” (Wes Craven, 1991). Nesta segunda incursão, “Brahms: The Boy II” (o vilão acima do título com fins de ‘franchisar’), encontramos um filme que vem colmatar a ausência do culto dos videoclubes, em que as prateleiras se enchiam de sequelas “direct-to-video“, com todos os rodriguinhos dessa tradição (quem não se lembra de “Urban Legends 3” ou “Hollow Man 2”? Ninguém?).

Nesta altura do campeonato, para sermos sinceros, ver Katie Holmes no grande ecrã é um sinal deprimente destes tempos, numa produção sem pretensões nem vigor, sobretudo se pensarmos que foi, em tempos, encarada como uma promessa do início do século, associada ao cinema infanto-juvenil e de género com piscadelas a projetos maiores como “Batman Begins“, de Christopher Nolan (até ser substituída por Maggie Gyllenhaal no segundo tomo da franquia), e a ‘produções no mínimo interessantes’ como “Thank You for Smoking” (Jason Reitman, 2005), até cair no “buraco Adam Sandler” (“Jack & Jill”, 2011), sem nunca mais recuperar. Assim se cumpre: “The Boy 2” (chamemos-lhe assim) é uma comida de micro-ondas, deslavada e reaquecida, desprovida da dedicação e do tempo necessários para preparar um guião criativo ou, no mínimo, sustos convincentes.

Depois de um jogo bafiento de “medo” (entre aspas para que não sejamos mal interpretados), o filme com assinatura de William Brent Bell (bem presente num terror sem ambição de transgressão) apresenta um “twist” final ridículo e involuntariamente cómico, levando-nos a questionar o interesse numa eventual nova sequela (sim, “The Boys II” tem a coragem, ou o desplante, de deixar pistas para esse “feito”). Tudo remoído e remexido, ficamos perante mais um filme demonstrativo das quebras de tensão que a indústria de terror norte-americana tem vindo a sofrer. Entre “The Turning” (a fraca desculpa para trazer Henry James de novo à vida cinematográfica), “The Fantasy Island” e este “The Boy 2“, a colheita do início de 2020 está longe de ser minimamente aceitável…

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