Em julho do ano passado, o crítico alemão Olaf Möller esteve presente na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, onde apresentou um ciclo de filmes “desconhecidos” do cineasta conterrâneo G.W. Pabst. Numa das sessões, mais concretamente a de “Das Bekenntnis Der Ina Kahr” (“As Confissões de Ina Kahr”, 1954), Möller exibiu a sua indignação sobre o desprezo que o cinema produzido em tempos da R.F.A. obtém nos dias de hoje, inclusive na própria Alemanha. Segundo as suas palavras, era como se esse período fosse “apagado” da História do Cinema, e como grande culpado apontou para o Manifesto de Oberhausen, que viria a gerar o chamado movimento moderno, a partir de 1970, em que se destacaram nomes como Werner R. Fassbinder, Wim Wenders e Werner Herzog e que redefiniram a cinematografia alemã até aos tempos atuais.

Desde então, determinado em fazer redescobrir tais obras para o público e para a comunidade cinéfila, regressa à Cinemateca com uma extensa mostra de “filmes rejeitados“, um pouco como havia feito no anterior Festival de Locarno, mas destas vez sob versão alargada. O programa inclui mais de trinta e uma sessões de produções raras e de tamanho valor histórico, assim como artístico. Desde policiais, thrillers, melodramas, comédias, entre outros, passando pela velha guarda como Fritz Lang, de autores que se impuseram nos anos 50 junto à crítica como Wolfgang Staudt e Helmut Käutner, e ainda revelações surgidas como Jean-Marie Straub. Olaf Möller estará em Lisboa, a partir do dia 15, para apresentar regularmente os filmes e o crítico francês Jean Douchet fará uma conferência, ilustrada com excertos de filmes, sobre “The Indian Tomb” (1959), de Fritz Lang, provavelmente o mais conhecido filme desta extensa selecção.

O ciclo arrancará no próximo dia 2 de novembro, com “O Rei Louco” (“Ludwig Ii – Glanz Und End Eines Königs”, 1954), de Helmut Käutner, com Klaus Kinski no principal papel.

Ver programação completa aqui.

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