“Honestly, there’s a hundred people who want to kill me. I hope I can protect the one thing I can’t live without…”
A tendência de humanizar super-heróis no cinema não é ‘coisa’ recente, mas ganhou força com as incursões de Sam Raimi e Christopher Nolan em “Spider-Man” e “Batman”, respectivamente. Aqui chegamos “Iron Man 3”, o terceiro filme de um saga (não tão) a solo que culminou num campeão de bilheteira (“The Avengers”), onde Tony Stark (paga-renda de Robert Downey Jr.) surge-nos mais humano, mais fragilizado, mais real para as nossas crenças pueris. O problema é exatamente esse: como explorar essa dita fragilidade.
Nos “quadrinhos”, Tony Stark já enfrentou algo mais destrutivo do que os seus vilões de metal e mandarins: a dependência alcoólica, essa sua verdadeira kryptonite. Uma oportunidade de criar um drama transversal ao seu carácter que não é nada neste universo, a Marvel / Disney está a “borrifar” para isso, e sim do seu público-alvo, todo o mundo, sem excepção, sem suscetibilidades feridas. O foco aqui é a acção, os efeitos especiais e, claro, Robert Downey Jr. O alcoolismo? Já foi tocado ao de leve no segundo filme, para quê mais? “Iron Man 3” sugere, mas nem tenta aprofundar esse lado sombrio, opera sob a via do entretenimento de massas, escapistas com honras de “não percam o próximo episódio”.
A proposta de um filme sério e dramático como consequência dos eventos de “The Avengers”, joint-movie que se ficou pelo camp bilionário, só aguenta as canelas quando convém porque Tony Stark, ou melhor Robert Downey Jr. suporta a personagem como ”gente grande”, como estrela de que lhe fora negada nas suas épocas de negritude. A primeira meia hora é promissora, mas as pretensões dão vez à puerilidade e aí o ator mexe-se e remexe-se numa performance única num palco vazio (o tecnológico ao seu redor dá ares para essas private dances). Mas o que importa, depois do tal filme de 2012, é para onde o vento sopra para a Marvel Studios, os fãs aplaudem, os seus sonhos molhados ganham vida e aguarda-se impacientemente por Thanos (esse prometido grande vilão) no virar da esquina. A acção que se intromete nessa espera, é oleada, tecnologicamente febril, nada memorável portanto.
O argumento, por sua vez, mesmo com os rasgos suaves de existencialismo, não são mais que pretextos para se encaixar num universo partilhado com direito a um ato final absolutamente infantil. A Marvel já não faz filmes, e sim episódios interligados. Em “Iron Man 3” ficamos com a sensação de “criança num mundo de adultos”, até as habituais bandas sonoras de AC/DC desapareceram do mapa. Até eles devem ter entendido que a Disney não quer emoções fortes, somente o suficiente para encher os cofres.

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