Uma inanidade do cinema português, este é um filme que, esteticamente, que pouco ou nada se distingue das inúmeras telenovelas que “empapam” as nossas grelhas televisivas, muito menos ter liberdades ou “desenrasco” para se assumir o camp ou o trash. Movido por um erros de casting palavrosos, onde o único ator de excepção é definitivamente Joaquim Leitão. Sim, o realizador, o homem que fora nos anos 90 responsável pela noticiada “ressurreição do cinema comercial português” [“Adão & Eva”, “Tentação”], encena aqui a má matéria-prima sob um competente trabalho técnico (mesmo pouco ou nada inspirado), ou seja, “enfeites”. 

Contudo, o mais alarve neste concentrado é a sua “cereja no topo do bolo”, o final quase abrupto, ingenuamente ignorante, que discursa amor como o tópico inabalável e atingível ao grau zen de qualquer mulher, e qualquer homem. Tornam-se irracionais perante esse sentimento. Não no sentido da “comédia boba e romântica” a qual estamos acostumados, mas no facto de nos estabelecermos como animais socialmente irracionais. Mas esquecemos esse não tão menos “pormenor” e aventuramos naquilo que supostamente “Sei Lá” tem para nos “oferecer” …

Este rip-off aportuguesado “Sex and the City” é um OVNI narrativo, um equivocado projecto cinematográfico de visão distorcida e anorética acerca das mulheres em geral, devedoras a futilidades e a homens ainda mais ridículos que elas (apesar de não se esperar aqui uma reprodução de Scarlett O’Hara). De dramaticamente burlesco para involuntariamente desesperante, “Sei Lá”, essa demorada adaptação do primeiro romance de Margarida Rebelo Pinto, não consegue satisfazer nenhuma das suas quadras, é demasiado tosco para conscientizar-se como “cinema para feminino” (não confundir com cinema no feminino), e tecnicamente “certinho” (mas nunca vibrante) para se revelar culto de temas e armadilhas. 

Com isto tudo chego a dar razão a João César Monteiro que citou perante aos ataques críticos ao seu “Branca de Neve” – “Queriam o quê? Telenovela?” – Ora bem, temos a resposta.

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